Quarta-feira, 27 de Julho de 2005

...

PAI


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Pensei que fosse fácil fazer-te um poema, Pai.
Mas vejo que tua vida é um poema difícil, que a gente não pode escrever.
Vejo os calos das mãos que contam histórias de enxadas, caminhando pelos campos; e histórias de chinelos, falando uma linguagem, que os filhos não entendem.
Vejo os calos dos joelhos, que contam histórias humildes de horas silenciosas, conversadas com Deus.
Vejo as rugas da cara que falam das rugas da alma como fendas da terra que as chuvas abriram.
Vejo os pés cansados, rasgados por espinhos, que a gente não vê.
Vejo o calor brilhante do coração que sempre nos ama, quando ainda não sabíamos amar.
Eu me lembro de um pai, que dorme de olhos abertos pensando no filho, que não abre os olhos.


Lembro-me de um pai,
Que varre o lixo das ruas,
Pensando no lixo das casas,
Que não pode varrer.


Lembro-me de um pai,
Que bebe suas mágoas na garrafa,
Pensando matar as mágoas da vida.


Lembro-me de Pai:
É difícil fazer um poema para ti,
Que vives o poema mais lindo.


 


 


 


É, meu velho Capitão...
Vejo-te ai recostado
Olhando o mar, o infinito profundo.


Nas rugas de teu rosto cansado
Delineado o traçado
Das rotas navegadas...
Vivências e experiências passadas.
Mãos calejadas, marcadas
Pela condução da embarcação.


Brancos cabelos como espumas do mar
É Pai, meu velho Capitão...
Quantas coisas a recordar.
Quantas lembranças, quantos ensinamentos.
Alegrias, desentendimentos,
Presenças e ausências.
Imagens
Aparências.


E, apesar de sermos diferentes aqui ou ali
É bom saber que juntos caminhamos
Vendo, ouvindo... como amigos sentindo.


Recordações de menino que um dia foi.
Brincadeiras, colegas de escola,
Tempo passado
Dos estudos, das dificuldades e das "artes".
A adolescência.


É Pai, meu velho Capitão...
Como foi grande a tua missão.


Bússola para nos guiar
Alertar, ensinar, amparar,
Proteger, repreender.
tocha na terra, no céu e no mar.


Porto seguro, mastro mestre da família.
Ao casar-se, de ser só filho deixou
A ser pai, também passou.
Trabalhastes duro, suastes, sofrestes, criastes,
Fortunas que não são tuas,
Sonhos que nunca vivestes,
Anseios que sufocastes...


É Pai, meu velho Capitão...
Como é grande a tua missão,
E por vezes nem dei conta da carga...
Mas lá em cima está tudo contabilizado.
Sabes Pai, não é fácil falar de Ti
Resta-me apenas te abraçar e olhando nos seus olhos,
Dizer-te de coração:


Muito obrigado Pai, meu querido amigo, meu velho Capitão !!!


António Soares

publicado por antoniopiressoares às 09:48
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