Sexta-feira, 25 de Março de 2005

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Caminhando num Oceano sem fim...


CM0743.jpg



Encontrei a estrada envolta


e não vi seu final.


Tinha sonhos de distância


que permaneciam em criança


com medo de se revelar.


 


E escrevi minha história,


mas a tinta acabou.


Não era feita imortal,


nem feita para tal


na ferida que deixou.


 


Era só mais um conto


que ninguém soubera contar


e o deixei acabar.


E no final aquela estrada ao amanhecer,


para só conseguir escrever,


escrever e nada entender...


 


António Soares


25-03-2005

publicado por antoniopiressoares às 17:41
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Quarta-feira, 16 de Março de 2005

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LIBERDADE PARA VOAR


passaro02.jpg



Há tempos foi-me oferecido um passarinho de raça “Pintassilgo”, proibido de manter em cativeiro, na primeira semana coitado permaneceu bastante triste e não comia, depois levantou o moral e começou a cantar. Ultimamente cantava lindamente, ouvi-lo representava ternura, simplicidade de amor e principalmente alegria quando me sentia menos animado. No passado Domingo olhei para a gaiola e pensei, na minha crueldade da sua inocência. Nada pior do que nos sentirmos presos, amarados, dependentes e sem amor, De repente sentimo-nos fragilizados, encurralados e fechados numa tristeza que se nos fecha cada vez mais. Sentimo-nos tristes e infelizes, e para poder gagnar outra vez esta LIBERDADE é necessário abrir a “gaiola”. Espero que algum dia me restituem á Liberdade...


Sentia-se familiarizada com o pássaro. Afinal, ambos vivia-mos num mundo de prisões. As lembranças de sua vivência reapareciam das covas pútridas de sua angústia, trazendo consigo melancolia.


A sós com o passarinho, observei, embasbacado, a beleza única do animal. Abruptamente, segurei gaiola nas mãos. Os olhos atentos da ave voltaram-se para mim, analisando o desconhecido. No olhar, podia-se sentir a pureza que jamais seria corrompida.


Abri a portinhola da gaiola e agarrei a pequena ave,  nas suas mãos. Uma comunicação silenciosa se fez, através dos olhares imobilizados.


Dirigi-me à janela; em seguida soltei o passarinho, elevando de uma só vez seus braços aos céus..


Pelas árvores verdejantes do parque eu ainda podia ver o ilustre animal, alternando seus voos e pousos, entre peripécias. Nas asas da liberdade, também voava, realizando os meus mais infantes sonhos, delírios de uma mente sedenta de libertação.


No fim, eu ouvia as vozes da natureza falando e entendi, por sons compreendidos somente pela pureza, que o homem pode até transformar a vida e construir gaiolas, mas seu verdadeiro valor, consiste de fato, numa atitude que exige muito menos dele: abrir as portas de suas prisões e se integrar, assim como os pássaros, à fonte de toda a sua existência, a natureza.


A alegria que tive não tem palavras que posso transmitir, foi de grande emoção.


 


António Soares


15-03-2005

publicado por antoniopiressoares às 09:36
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Terça-feira, 15 de Março de 2005

Um oceano de amizade

Existe um oceano de pessoas no mundo
algumas surgem como ondas altas
vagas medonhas que assustam
outras como ondas mansas
que devagar se estendem na areia
oferecendo-se aos outros
É bom sabermos que existem essas ondas
é bom saber que podemos contar com elas
neste oceano sem fim
publicado por antoniopiressoares às 22:36
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Terça-feira, 8 de Março de 2005

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SINTO-ME MAR


66_crystaldawn_s.jpg



Sinto-me mar


Sempre que te espero


respirando fundo o ar


enquanto o teu suor


não ancora em mim


silencia lá em cima a lua


e eu aqui a olhar


quem vem,


o horizonte nada sabe dizer


sobre as águas


que estão a te levar,


muito menos sobre aquelas


que irão te trazer


Essas nuvens ao redor


de nada servem


se apenas dançam,


mensageiras do mar,


elas transbordam os rios


semeiam os campos


mas deixam o teu vazio


de tão pouco me querer


e muito mais querer o mar


Sinto-me mar


sempre que estás tão distante,


deixo livre o meu olhar


fazendo do horizonte


tua íris e teu altar,


quando estás perto,


sinto-me cais, limo nas pedras,


ir e vir de mastros,


não te sinto já tão longe


meu lábio já não esconde


que este sol vai nos queimar.


Ah, a ilusão plena de sorrir


ao ouvir-te tão vadia


com as mãos cheias


as marés cheias


mas, no fim, só o vazio


de tão pouco me querer


e muito mais querer o mar.


António Soares


08-03-2005


 

publicado por antoniopiressoares às 21:36
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Sexta-feira, 4 de Março de 2005

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Saudade


adeus.jpg


Da amizade,
do amor,
é a presença do ausente,
é dor gostosa, dor alegre,
que vai direitinho ao coração.
Sentir saudade
é querer bem perto
o bem-querer.
É pensar em ir, querer voltar.
É buscar ver o que não alcança a vista.


Sentir saudade é mergulhar no infinito,
e penetrar na solidão,
buscando a companhia,
imaginando sorrisos,
colorindo sonhos.
Saudade é transfusão de sentimentos,
convite de reconforto,
carinho infinito, infinita ternura.
Saudade é alegria que fere,
tristeza que alivia.


António Soares


04-03-2005

publicado por antoniopiressoares às 22:28
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CORAÇÃO


ft.jpg


Sou vida...
Sou pulsante,
às vezes sou errante
guiado pela emoção.
Sou paixão...


Sou sentimento,
às vezes sou lamento,
sou apenas ilusão,
sou alma entristecida,
sou enigma,
Sou coração!

publicado por antoniopiressoares às 22:06
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