Sexta-feira, 21 de Outubro de 2005

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forademao.gif


Ser Poeta (Perdidamente)


Desejo especialmente estas letras para a minha querida mãezinha


Dimages4.jpg


 Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dize-lo cantando a toda a gente!


LUIS REPRESAS


 


 

publicado por antoniopiressoares às 12:05
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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2005

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As Rosas (A Promessa)


rosa17.jpg


Quando à noite desfolho e trinco as rosas
é como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes
Todo o fulgor das tardes luminosas

O vento bailador das primaveras
a doçura amarga dos poentes
e a exaltação de todas as esperas

Quando à noite desfolho e trinco as rosas
És tu a primavera que eu esperava
A vida multiplicada e brilhante
Em que é pleno e perfeito cada instante


Sophia de Mello Breyner

publicado por antoniopiressoares às 12:39
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005

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tn_scenery12.jpg


Silêncio.
Incrédulos, meus olhos percorrem a vasta extensão
de vazio que se concentra ao meu redor.
Há somente a falta de tudo no ar.
O frio que sinto, prenúncio sub-reptício de ausência da vida,
Exorta meus sentidos a procurarem abrigo na poesia.
Minha essência divaga no mar revolto das minhas necessidades
onde enormes ondas de dúvida e desejo brincam com meu ser.
Desamparado, vejo o despertar do medo:
Tenho medo do medo.

publicado por antoniopiressoares às 12:02
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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2005

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O DIA A DIA????


 


the end.jpg




Passam-se dias, meses e mais de um ano. Será que esta brincadeira é para continuar?


Porque nesta altura não pode ser classificado de outra forma, um jogo com um só participante, um espectáculo em que o actor e espectador são a mesma pessoa, eu próprio. Uma brincadeira para satisfação pessoal, uma festa em que toco musica, lanço foguetes e apanho as canas queimadas.


Mas quantas vezes o que fazemos, não o fazemos unicamente por nós, pelo gosto que dá e não necessariamente para compartilhar com terceiros. Quantas vezes convidei e nada aconteceu.


Se eu fosse alguém com uma opinião forte e formada sobre diversos assuntos, provavelmente acabaria a importante partilha, tal como o disse um padre em Fátima ao confessar-me, “Filho, não és pecador, é sofredor, junta todas as coisas e  divide-as ao meio”. Mas eu sou teimoso e confiante busco de alguém que anda incessantemente à procura, que não sabe, que vai achando que ..., mas que não tem certezas de nada.


Ainda continuo, no meu papel de recém nascido, a tentar perceber o que me rodeia, a tentar perceber os ritmos, os sons, as cores. .. a Pessoa.


Ainda continuo a tentar compreender-me a mim próprio, tarefa bem mais difícil mas bem mais interessante. Todos somos pelo um pouco narcisistas, gostamos de ser o centro das atenções, se de mais ninguém, pelo menos das nossas.


Tenho uma vida inteira (independentemente dos poucos minutos ou muitos anos que me possam ser reservados, e que pouco me restam, será sempre uma vida inteira), tenho uma vida inteira pela frente para refazer este puzzle que eu sou, e que falhou,  finalmente ao fim de seis anos consegui descobrir a última peça para dissecar o meu ser, mas temo que seja demasiado longo esse tempo, que o trabalho fique por concluir e que tenha que cá voltar outra e outra vez.


António Soares,


 06-10-2005


 

publicado por antoniopiressoares às 15:21
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Terça-feira, 4 de Outubro de 2005

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ADEUS


lagos.jpg


Adeus que me vou embora


Adeus que me embora vou


Vou daqui para minha terra


Que eu desta terra não sou.


 


Tenho minha mãe à espera


Cansada de me esperar


Naquela encosta da serra


Vamos ser dois a chorar


 


À espera tenho o meu pai


Aos tempos que o não vejo


O tempo que vai durar


O meu abraço e o meu beijo.


 


Vim casado e vou solteiro


Vou livre de coração


Se alguém me quiser prender


Lá não vou dizer que não.


 


Adeus que me vou embora


Adeus que estou para partir


Vou daqui para minha terra


De onde não volto a sair.


 


Num oceano sem fim


Dentro de uma barca


Navegando vou


Tempestades ou bons temporais


Ficarei ou irei...


 


António Soares


04-10-2005

publicado por antoniopiressoares às 22:18
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