Terça-feira, 14 de Dezembro de 2004

...

A JANELA


janela1.gif 


Certa vez, dois homens estavam seriamente doentes na mesma enfermaria de um grande hospital.
O quarto era bem pequeno e nele havia uma janela que dava para o mundo.
Um dos homens tinha, como parte do seu tratamento, permissão para sentar-se na cama por uma hora durante as tardes (algo que tinha a ver com a drenagem de fluido de seus pulmões).
Sua cama ficava perto da janela.
O outro, contudo, tinha de passar todo o seu tempo deitado de barriga para cima.
Todas as tardes, quando o homem cuja cama ficava perto da janela era colocado em posição sentada, passava o tempo descrevendo o que via lá fora.
A janela dava para um parque onde havia um lago.
Havia patos e cisnes no lago, e as crianças iam atirar-lhes pão e colocar na água barcos de brinquedo.
Jovens namorados caminhavam de mãos dadas entre as árvores, e havia flores, gramados e jogos de bola.
E ao fundo, por trás da fileira de árvores, avistava-se o belo contorno dos prédios da cidade.
O homem deitado ouvia o sentado descrever tudo isso, apreciando todos os minutos.
Ouviu sobre como uma criança quase caiu no lago e sobre como as garotas estavam bonitas em seus vestidos de verão.
As descrições do seu amigo eventualmente o fizeram sentir que quase podia ver o que estava acontecendo lá fora...
Então, em uma bela tarde, ocorreu-lhe um pensamento: Por que o homem que ficava perto da janela deveria ter todo o prazer de ver o que estava acontecendo? Por que ele não podia ter essa chance? Sentiu-se envergonhado, mas quanto mais tentava não pensar assim, mais queria uma mudança.
Faria qualquer coisa!
Numa noite, enquanto olhava para o tecto, o outro homem subitamente acordou tossindo e sufocando, suas mãos procurando o botão que faria a enfermeira vir correndo.
Mas ele o observou sem se mover... mesmo quando o som de respiração parou.
De manha, a enfermeira encontrou o outro homem morto e, silenciosamente, levou embora o seu corpo.
Logo que pareceu apropriado, o homem perguntou se poderia ser colocado na cama perto da janela.
Então colocaram-no lá, aconchegaram-no sob as cobertas e fizeram com que se sentisse bastante confortável.
No minuto em que saíram, ele apoiou-se sobre um cotovelo, com dificuldade e sentindo muita dor, e olhou para fora da janela.
Viu apenas um muro...
E a vida é, sempre foi e será aquilo que nós a tornamos.

publicado por antoniopiressoares às 14:28
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4 comentários:
De Carlos a 16 de Dezembro de 2004 às 21:17
Até me arrepiei! Não conhecia esta história, pelo menos assim! De facto, a vida é aquilo em que nós a tornamos! Por isso somos livres e podemos voar... por isso podemos transpôr muros e ver o mundo de outra forma... E nós, cada um de nós, como vê o muro da nossa janela?... Seremos também capazes de ver como o homem via?... Pois é, muitas vezes não...


De andrye a 16 de Dezembro de 2004 às 16:17
Mais uma linda historia! É verdade, a vida só é akilo em q nós a tornamos. adorei! beijokas.


De Luar a 14 de Dezembro de 2004 às 23:26
Lindo, mais uma vez gostei! Ainda por cima outra das minha manias são janelas... Felizmente tenho uma casa cheia de janelas e acordo com o sol na minha cama! beijo na janela e obrigada pela vista.
Boa música.


De verdinha a 14 de Dezembro de 2004 às 20:53
ja conhecia exa historia, ms axo-a linda.. =)


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